31 de out de 2017

O BRASÃO PATRIARCAL



O Brasão Patriarcal da IGREJA SIRIAN (SIRÍACA) ORTODOXA DE ANTIOQUIA tem um rico simbolismo envolvendo história e teologia.

Na parte superior ao centro o desenho de um turbante (kubahto em aramaico) simboliza a sucessão apostólica, pois, de acordo com a tradição da Igreja, depois da ressurreição, Nosso Senhor Jesus Cristo entrega o véu (mandilo) que lhe cobria a cabeça no túmulo a Pedro e este passou a usá-lo. Todos os Patriarcas e bispos Siríacos Ortodoxos usam quando em ambientes externos ou seja fora das Igrejas ou Mosteiros.
O formato varia dos patriarcas e bispos para os sacerdotes, no caso, frades, monges, cura-epíscopos, padres celibatários e padres casados.

À direita está o cajado (moronitho) simbolizando o cajado do pastor e a Cruz (slibo) deve estar vazia, pois, Cristo já ressuscitou.

A Cruz em si passa a ser o instrumento da renovação da criação divina – a humanidade.
As duas serpentes simbolizam a serpente do Paraíso do Éden induzindo a humanidade em erro enquanto a outra serpente lembra a serpente da salvação que Deus mandou Moisés, no deserto, colocar sobre o madeiro e todos que a ela olhavam eram salvos das cobras que atacaram os israelitas em seu êxodo.

Observe-se que a Cruz está sempre acima da serpente, pois, simboliza também o esmagamento da cabeça da serpente pelo Filho da mulher através da morte na Cruz.

No meio do brasão vemos duas chaves unidas por uma corrente numa referência às chaves do Paraíso onde Cristo promete ao apóstolo Pedro que tudo que ele, Pedro, atar na terra será atado no céu e tudo que desatar na terra será desatado no céu. Pedro desta forma é definido como o líder dos apóstolos e é o primeiro patriarca de Antioquia onde os fiéis pela primeira vez foram chamados de cristãos.



Os primeiros sucessores de Pedro no trono antioquino foram Audius que pontificou por um ano e foi martirizado e Ignatius o Iluminador.

Os Patriarcas Siríacos Ortodoxos de Antioquia utilizam o título de “Ignatius” seguido do nome que escolhem quando designados ao trono definindo assim a meta maior a ser seguida durante o seu pontifício.

Na parte central inferior do brasão existe a escala de uma balança que representa a justiça, virtude e imparcialidade com que o Patriarca como juiz na Igreja toma as decisões protegendo a fé, doutrina, dogmas, cânones e constituição.

Finalmente na parte inferior uma faixa ostenta em aramaico o título de “PATRIARCA DE ANTIOQUIA E DE TODO ORIENTE”.

Nas figuras acima o brasão patriarcal aparece em bandeiras. As duas formas são autorizadas pelo patriarca, no entanto, a tradição tem demonstrado a preferência popular pela primeira.

Quanto ao brasão que os bispos usam, contém menor número de elementos como a figura abaixo:



Na faixa inferior aparece o nome da diocese.


Já as paróquias, seminários, mosteiros e casas de oração utilizam brasões com o ícone do santo ou santa a que são dedicadas circundadas com o nome da paróquia em aramaico e na língua local.

FONTE: Diác. Aniss Sowmy - Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria - São Paulo/SP.

O ROSÁRIO CATÓLICO E A ORTODOXIA

Rosário (terço) Católico.


Rosário Alemão de 1475 d.C.


Rosário Russo


Porque os siríacos ortodoxos não usam o rosário utilizado na igreja católica apostólica romana?

Inicialmente é preciso entender o que é, o que significa e para que serve, para isso vamos à história e depois à parte dogmática da Igreja.

O rosário é uma série de 150 contas distribuídas em 15 grupo de 10 contas cada e separadas por uma conta maior. Unidas a estas séries há ainda outras cinco contas, duas grandes e três pequenas terminando com um crucifixo. Este é o rosário completo.

Hoje em geral usa-se o terço do rosário, ou seja, 5 dezenas.

A origem do rosário não está bem definida.

No cristianismo do terceiro e quarto séculos os “pais do deserto” usavam cordas com nós para orar, estas contas eram utilizadas pelos monges como “orações de Jesus”.

Depois do Concílio de Éfeso em 431 durante a idade média na Europa houve um crescimento das orações marianas.

Segundo a tradição católica romana, o rosário foi dado a São Domênico numa visão da Virgem Maria e depois divulgado por Alan de la Roche.

No entanto, nem todos os católicos concordam com esta tradição. Alguns historiadores veem um desenvolvimento gradual do rosário na repetição contínua da “oração mariana” necessitando uma contagem para segurança do fiel.

A prática da meditação durante a oração mariana é atribuída a Domênico da Prússia, um monge cartuxo do século quinze. No entanto, o teólogo de Tiers, Andreas Heinz descobriu um documento datado de 1300 (Vita Christi Rosarium) sugerindo a existência do rosário desde aquele tempo. Em 1571 a vitória cristã na guerra de Lepanto foi atribuída à oração do rosário pela massa laica da Europa baseada no pedido do Papa Pio V podendo então ter resultado da “Festa de Nossa Senhora do Rosário” em 1569.

A Bula Papal “Consueverunt Romani Pontifices" estabeleceu a devoção ao rosário na igreja católica romana.

Em 2002 o Santo Papa João Paulo II introduziu os “Mistérios Luminosos” como opção na carta apostólica “Rosarium Virgines Mariae”.

Na verdade o rosário na Europa veio a substituir para o laicato a “Liturgia das Orações” onde os monges liam 150 salmos ao dia, como a maioria do laicato era analfabeto, uma corda com 150 nós exigia que se orasse 150 Pai Nosso´s.

As fraternidades do rosário, grupos de pessoas orando o rosário surgem inicialmente na Colonia na Alemanha em 1475 e depois se espalham para Veneza e França em 1480 e 1481.

A oração do rosário se generalizou graças aos monges beneditinos e cartuxos.

Em essência, hoje, o rosário é para facilitar a contagem das Ave Maria´s e a igreja católica divulgou diversas indulgências a quem praticasse o uso do rosário.

Se se trata de uma oração porque os siríacos ortodoxos bem como outras igrejas ortodoxas recusam este tipo de oração?

Inicialmente “ortodoxia” quer dizer "fé verdadeira" e alguns pontos com relação ao rosário conflitam diretamente com o cristianismo e as doutrinas dos santos padres.
Vamos lá!

Orar o rosário exige uso excessivo da imaginação, pois é preciso criar cenas na mente a fim de meditar sobre os vários mistérios; nisso nossa tradição ortodoxa não encoraja a imaginação mental uma vez que o estado de oração deve ser plenamente verdadeiro, focado exclusivamente no divino e por outro lado a imaginação pode divagar dispersando o foco do fiel. O pensamento do fiel deve estar conscientemente dirigido ao Altíssimo e o divagar enseja a possibilidade do demônio intervir desviando a mente do fiel. A atenção, o foco na oração pode e deve conduzir o fiel à meditação da glória divina, a pequenez da humanidade, e não à imaginação.

No caso das orações citadas no rosário ou terço observamos que enquanto uma oração é dirigida a Deus, dez são para a Virgem Maria, isto demonstra uma diminuição da Onipotência absoluta da Santíssima Trindade que é o Único Deus Verdadeiro, Criador do céu e da terra e de tudo que é visível e invisível.

Nossa Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia tem pelo menos sete importantes celebrações destinadas à Virgem Maria, Mãe de Deus, e toda Missa o sacerdote celebrante inicia o canto de São Severo invocando: “Maria que te gerou...” (Mariam diletok).

Todas as orações, matinais, vesperais, etc... sempre têm a primeira parte dedicada a Maria, mas, é preciso entender que Maria não pode ser exaltada ou adorada mais do que o próprio Redentor, Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele próprio Filho de Deus e Deus.

Maria tem uma grande e significativa importância na história do cristianismo, mas, lembremos que ela nunca pediu nada para si.

Ela deu de si!

Deu seu consentimento para que o Redentor fosse gerado no seu ventre, cuidou dEle, viveu com Ele, sofreu com Ele, chorou no Seu enterro como toda mãe, mas guardava tudo no seu coração consciente da missão redentora de Cristo.

Ela aos olhos da fé e dos dogmas da igreja não pode e não tem o papel de corredentora, assim como, também, não nasceu livre do pecado original, uma vez que seu nascimento envolveu o intercurso de homem e mulher, seus pais, Joaquim e Ana, mas, o Espírito Santo desceu sobre ela e purificou-a e em seu ventre foi concebido o Filho de Deus por vontade e escolha do Altíssimo.

Por isso estão erradas as “Litanias de Loretto” – “Rainha concebida sem pecado original” e é por isso que cai por terra o conceito da “imaculada conceição”.

Respeitada a fé; aqui não temos o objetivo de ofender, mas esclarecer o conceito alegadamente entregue por Maria às crianças de Fátima e recitado ao fim do rosário com orações fazendo referência ao “sagrado coração “ ou “imaculada conceição” , pois, tornam-se contraditórios aos ensinamentos cristãos onde sagrado é “ O Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo” único caminho da nossa salvação.

Não vamos descer a detalhes de sacralidade, pois, aí entraremos num campo muito vasto.

Para meditarmos sobre o que dissemos até aqui vamos lembrar três frases importantes da Bíblia:

“Fazei tudo que Ele mandar” nas bodas de Canaã falta vinho e Maria intercede pelos noivos junto a Jesus, seu Filho.

“Fazei isto em minha memória até o meu retorno” Nosso Senhor Jesus Cristo na Santa Ceia quando da instituição da Santa Eucaristia exige dos apóstolos a celebração do Pão e do Vinho transformando-os no seu Corpo e Sangue.

“Porque todo aquele que nEle crer não perecerá, mas terá a vida eterna”. São João Evangelista expressando a grandiosidade do amor do Pai pela humanidade e a certeza da ressurreição com Cristo para a vida eterna.

É bom lembrar que a Igreja Sirian Ortodoxa ora a Deus pedindo para que aceite nossas orações como as orações deste ou daquele Santo ou Santa.

Cremos também, na intercessão dos Santos, lembrando, no entanto, que o milagre ou o atendimento das nossas súplicas são efetivamente atendidas por Deus.

Quanto aos Santos é preciso lembrar que Maria é Virgem, Santa, Pura, e seu status é de destaque dos demais santos justamente por ser a Mãe de Deus.

Finalmente, Cristo na Cruz pede a João seu discípulo amado para cuidar de Maria, e assim, todos nós temos esta obrigação, a obrigação de cuidar de Maria de forma respeitosa, mas, não endeusa-la.

A saudação a Maria, é lícita, é a forma mais precisa de pedir a sua intercessão a toda hora da nossa vida e na hora da nossa morte.


FONTE: Diác. Aniss Sowmy – Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria – São Paulo/SP.

26 de out de 2017

VISITA DO PE. GABRIEL DANHO DAHO ABADE DO SEMINÁRIO-MOSTEIRO DE SANTO AFREM EM MARAAT SEDNAYA NA SÍRIA



Fotos da visita de Pe. Gabriel Danho Daho, abade do Seminário-Mosteiro de Santo Afrem em Maraat Sednaya na Síria, abaixo ruínas de Éfeso na Turquia.

Em uma dos nossos artigos falamos dos santos Sergio (Sarkis) e Baco cuja memória ocorre no dia 7 de outubro e coincidentemente o reverendo Pe. Gabriel mandou algumas fotos da sua visita à cidade de Malula na Síria onde até hoje se pratica o aramaico. As fotos da visita mostram a destruição de diversas igrejas na região quando da invasão das milícias do Estado Islâmico e justamente entre estas igrejas destruídas estão a dos santos Sergio e Baco e também de Santa Tacla.

Acrescentei as ruínas de Éfeso, uma cidade antiga e histórica, como muitas outras que a Bíblia cita e hoje em ruínas abandonadas.

Estas cidades ou locais como Tur Abdin, a própria Éfeso, Tarso, Constantinopla, Antioquia, são de incomensurável valor histórico para o Cristianismo.

Com a proximidade do Natal podemos citar a descoberta em  Mire ou Demre em turco de uma igreja dedicada a São Nicolau na qual os arqueólogos presumem estar o túmulo descoberto do santo, o mesmo que inspirou o personagem natalino - Papai Noel. A igreja é do quarto século do Cristianismo e tem atraído grande leva de turistas, a maioria de russos, alemães, suíços e outros povos nórdicos.

Constantinopla atual Istambul onde em 324 da nossa era o imperador romano Constantino tornou-se o primeiro imperador romano a ser batizado abraçando o Cristianismo e decidindo transformar Bizâncio no novo centro espiritual do Cristianismo chamando-a de "Nova Rom". Só depois ao tempo do imperador Justiniano (527 - 560) surgiu um dos maiores monumentos do Cristianismo, a basílica de Santa Sofia dedicada como o próprio nome diz "sabedoria divina".  Com a queda de Constantinopla foi transformada em mesquita e só no século passado foi declarada museu pelo governo turco. Os radicais islâmicos agora querem usá-la novamente como mesquita.

Niceia ou Iznic em turco, foi aí que em 325 realizou-se o primeiro grande concílio ecumênico da historia afirmando que o Filho, Jesus Cristo, é da mesma natureza do Pai, como professamos em todas as cerimônias cristãs no Credo. A principal igreja de Niceia - Santa Sofia - construída no século do Cristianismo seguindo o mesmo projeto arquitetônico de Constantinopla, também foi transformada em mesquita, depois declarada museu e agora em 2011 o governo turco definiu que tem de ser usada como mesquita.

Esmirna ou Izmir em turco é uma das sete igrejas destinatárias do Livro do Apocalipse segundo o apóstolo São João. As outras igrejas citadas como "Igrejas da Ásia" (Ásia Menor) são também às margens ou próximas do Mar Egeu e são: Éfeso, Pérgamo, Tiatira, Filadélfia e Laodiceia.

Éfeso ou Efes em turco é uma cidade portuária de comercio forte e abrigava uma das sete maravilhas do mundo antigo, o Templo de Diana, e, é em Éfeso que Paulo o apóstolo pregou entre 53 e 57 e redigiu a maioria das suas epístolas aos gentios. Paulo fundou em Éfeso uma grande comunidade cristã primitiva muito solida e ainda segundo a tradição da nossa Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, São João, o evangelista viveu lá cuidando da Santíssima Virgem Maria depois da crucificação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Acredita-se que ela viveu em Éfeso até a sua assunção. Sobre a colina Bulbul Dag existe a casa com a inscrição  "da Virgem" e hoje é um santuário de visitação católico-muçulmano.

Hierápolis ou Pamukkale em turco, era um núcleo termal (termas) desde a antiguidade com paisagens naturais fascinantes fazendo jus ao nome - cidade do algodão.

É em Hierápolis que o apóstolo São Felipe foi crucificado por volta de 87 da nossa era, seu túmulo foi descoberto em 2011 nos vestígios de uma antiga igreja.

Capadócia ou Kapadokia em turco, situada no coração do platô anatólio é uma região montanhosa e de grande atração turística nos nossos dias, mas historicamente serviu de refúgio aos primeiros cristãos perseguidos pelos romanos. Os vestígios do monaquismo dos primeiros tempos do Cristianismo estão ficando raro com a depredação contínua que vem sofrendo. No século nove houve uma tentativa de renovação do movimento monástico na região sufocado pelas invasões islâmicas. Até hoje descobrem-se novos sítios arqueológicos na região e ruínas de igrejas.

Tarso ou Tarsus é a cidade natal de São Paulo, apóstolo como ele mesmo afirma nos Livro dos Atos dos Apóstolos. Sua casa em ruínas ainda com o seu poço de água até hoje são locais de peregrinação cristã.

Antioquia ou Antákia é o primeiro lugar em que os fiéis são chamados de cristãos. É aí que Paulo impôs a Pedro a dispensa da circuncisão aos novos cristãos convertidos.

Como primeira cidade evangelizada por São Paulo, era a terceira grande metrópole do império romano depois de Roma e Alexandria contando com cerca de quinhentos mil habitantes. Atualmente cinco chefes de Igrejas Orientais arrogam-se o título de Patriarca de Antioquia; o primeiro patriarca de Antioquia foi São Pedro e é de lá que depois seguiu para Roma.

Edessa ou Sanliurfa em turco ou ainda conhecida como Urfa e em aramaico Urhoi, chamada cidade dos profetas e também "Cidade Abençoada".

Próxima da fronteira da atual Síria é associada a Ur de onde seria originário Abraão da Bíblia, mas é importante também citar que alguns historiadores afirmam que a Ur bíblica está no atual Iraque.

Edessa foi um importantíssimo núcleo literário-cultural do Cristianismo onde foram produzidas as grandes obras de Santo Afrem o Siríaco, São Jacó de Edessa, do filósofo Bardaison e muitos outros.

Seus monumentos cristãos até hoje guardam inscrições em aramaico, mas com o domínio islâmico vem sofrendo grande depredação e descaso das autoridades uma vez que a população atualmente é islâmica. Raros são os fiéis cristãos que peregrinam a Edessa.

Outro lugar que merece destaque é a gruta onde Jó passou os primeiros sete anos de desgraça quando perdeu tudo segundo o Velho Testamento.

Tur Abdin ou Montanha dos adoradores de Deus é a região limítrofe da Turquia com a Síria e abrigou um movimento monástico único por sua extensão. Atualmente ainda tem quinze mosteiros antigos, bem conservados e ativos. Hoje confronta-se com a perseguição e espoliação do atual governo turco que desde 2014  vem tomando suas terras e forçando a saída dos religiosos cristãos. Os salteadores curdos atacam eventuais turistas incautos e a maioria dos mosteiros recomenda seus fiéis a não circular depois da 17:00 horas.

Apesar dos protestos internacionais o governo turco não cede em sua posição de retaliação das comunidades cristãs.

Infelizmente o Ocidente só vê a Turquia a partir de Istambul e talvez Capadócia, mas, a grande verdade é que não há liberdade de expressão não só religiosa, mas, política neste país.


Fonte: Diác. Aniss Sowmy – Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria – São Paulo/SP.

A ISOA NO BRASIL EM ORAÇÃO PELA SAÚDE DE SE. MOR TITUS PAULO TUZA

MATÉRIA PUBLICADA NO FACEBOOK EM 25/10/2017 

NOTA EMITIDA PELA ISOA RN EM 25/10/2017 ÀS 07:20MIN DA MANHÃ, SEGUE ANEXA:

Nosso Arcebispo e Núncio Apostólico SE. Dom Tito Paulo Tuza passa por um procedimento cirúrgico neste momento. Convoco a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil (com as bênçãos de SE. Mor José Faustino Filho) a entrarmos em clima de oração pelo bom êxito da cirurgia e de sua recuperação. Barechmor Saydna!

SE. Mor Titus Paulo Tuza
(Arcebispo e Núncio Apostólico Patriarcal no Brasil)

NOTA RECEBIDA EM 25/10/2017 E REPASSADA PELO MONS. PAULO MILTON JUSTUS ÀS 08:56MIN DA MANHÃ, SEGUE ANEXA:

Queremos informar que a cirurgia de nosso Arcebispo Dom Titus Paulo Tuza correu tudo bem e ele já se encontra no apartamento do hospital na Suécia. Agradecemos as orações e em de Cristo agradecemos ao Nosso Criador por está graça. Hoje rezemos em ação de Graça. Deus continue abençoando seu povo.

A ISOA RN agradece as orações dos irmãos e irmãs de vários estados brasileiro e do mundo, manifestando sua solidariedade e votos de restabelecimento da saúde de SE. Mor Titus Paulo Tuza. 

Atenciosamente: Mons. Francisco Cláudio Leite de Morais (Curepiscopo dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte).

Obs.: Publicada a pedidos de clérigos e simpatizantes do ISOA RN (Blog) por todo o mundo. 

11 de set de 2017

ABERTA A COMUNIDADE MÃE DE DEUS E SÃO JORGE - MOSSORÓ/RN


ABERTA A COMUNIDADE MÃE DE DEUS E SÃO JORGE
PERTENCENTE A IGREJA SIRIAN ORTODOXA DE ANTIOQUIA NO BRASIL
MOSSORÓ/RN
12/08/2017


INTERIOR DO TEMPLO
REALIZAÇÃO DO SANTO QURBONO AOS DOMINGOS
17H



REALIZAÇÃO DA CATEQUESE PARA CRIANÇAS, JOVENS E ADULTOS
QUINTAS-FEIRAS ÀS 19H


Uma realização de todos os que fazem a Comunidade Sirian Ortodoxa Mãe de Deus e São Jorge - Mossoró/RN.



5 de set de 2017

ATIVIDADES PATRIARCAIS



SS. o Patriarca Moran Mor Ignatius Afrem II, Sumo Pontífice da Igreja Sirian (ou Siríaca) Ortodoxa de Antioquia e Todo o Oriente em seu trabalho de conciliação recebeu Sua Eminência o Bispo de Jerusalém, Jordânia e Terra Santa, Severius Malke Murad na residência patriarcal em Atchane para avaliar e planejar as atividades da Igreja naquele vicariato.

SS o Patriarca passou a adotar a política de nomeação dos bispos ou arcebispos e metropolitas na denominação de vigários patriarcais permitindo assim a mobilidade ou transferência de um local a outro. Isto não diminui em nada o status dos bispos e epíscopos.

Cumpre lembrar que Mor Severius Malke Murad serviu no Brasil a Igreja de Santa Maria em São Paulo por três anos para depois ser ordenado bispo pelo falecido Patriarca Zakkai I, Iwas de saudosa memória. Mor Severius também celebrou ordenação diaconal na Igreja Sirian Ortodoxa São João em São Paulo e realizou o funeral do primeiro bispo Sirian Ortodoxo para o Brasil, Mor Crisóstomos Musa Salama de saudosa memória e que está enterrado na Igreja Sirian Ortodoxa São Pedro em Belo Horizonte/MG.


SS o Patriarca recebeu também na residência patriarcal de Atchane no Líbano o Sr. Raed Isaac, membro do parlamento iraquiano que veio representando o parlamento daquele país para analisar a ajuda e o retorno dos iraquianos cristãos que se encontram refugiados no Líbano.

FONTE: Diác. Aniss Sowmy - Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria - São Paulo/SP

04 de SETEMBRO - DIÓSCORO DE ALEXANDRIA - PATRIARCA E SANTO

Dióscoro de Alexandria, Patriarca e Santo

No dia 4 de setembro a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia lembra a memória de Dióscoro, santo e 25º. Patriarca ou Papa de Alexandria morto em 454 AD.

Dióscoro presidiu o terceiro Concílio Ecumênico realizado na Igreja de Santa Maria em Éfeso a 8 de agosto de 449 e ao qual compareceram 150 bispos.

Este Concílio condenou a heresia que afirmava que Jesus Cristo nascido de Maria possuía duas naturezas mesmo depois da união milagrosa. Na verdade, o Concílio de Éfeso manteve a decisão dos Concílios anteriores Nicéia e Constantinopla. Dióscoro enfrentou muitas tribulações por não aceitar divergir da Cristologia definida anteriormente pelos santos padres.

Com a decisão final do Concílio de Éfeso ocorreu um Cisma entre os membros dos mosteiros, prelados e administradores da Igreja sobre a natureza de Cristo e esta disputa atingiu seu auge com a morte do imperador ortodoxo Teodósio em 28 de julho de 450 sem deixar herdeiro. Sua irmã Pulquéria tinha feito votos monacais e como freira não poderia casar, no entanto os seguidores de Nestor que buscavam apoio dos governantes autorizaram Pulquéria casar e ela abandonou o hábito e casou-se com Marcion ascendendo ao trono como rainha. Marcion por sua vez, apoiou a linha duofisistas ou nestoriana.

Dióscoro enfrentou um julgamento neste Concílio de Calcedônia. Ele alertou que Flaviano de Constantinopla foi banido porque acreditava em duas naturezas de Cristo mesmo na forma humana.

Dióscoro possuía as cartas dos Santos Padres Atanásio, Gregório e Cirílo para provar que Jesus quando na forma humana depois da união tinha apenas uma natureza unida (teologia miafisista), e, portanto, é errado afirmar que as naturezas estavam separadas (teologia duofisistas). Dióscoro afirmou no Concílio que “não podemos sequer imaginar ou pensar duas naturezas, mas uma única natureza do Verbo Encarnado”. Ele sabia que poderia ser banido como estes Pais, mas, não cedeu persistindo nos seus ensinamentos.

O Concílio de Calcedônia (451 AD) suspendeu Dióscoro e foi intimado por Marcion a subscrever a decisão do Concílio e ele recusou dizendo: “mesmo que minha mão grave e o meu sangue fluir sobre o papel nunca assinarei! ”

Marcion exilou Dióscoro para a ilha de Gangra (atual Cankai na Turquia) onde ficou preso por três anos até morrer em 454 AD.

Dióscoro foi reitor da Escola Catequética de Alexandria e foi secretário pessoal de Cirílo de Alexandria seu antecessor tendo acompanhado Cirílo no Concílio de Éfeso em 431.

Na discussão contra Nestor em Éfeso, Cirílo explicou a união entre as naturezas divina e humana de Cristo como íntima e real sem divisão, mudança ou confusão.

Com a deposição e exílio de Dióscoro, um padre alexandrino de nome Protério foi indicado por Marcion para Papa ou Patriarca de Alexandria (os Patriarcas de Alexandria usam o título de Papa a exemplo também do Papa de Roma), no entanto, os seguidores de Dióscoro mantinham seu reconhecimento da legitimidade dele como Patriarca de Alexandria. Só com a morte de Dióscoro em 454 no exílio é que a Igreja Copta consagrou Timóteo II, discípulo de Dióscoro para Patriarca de Alexandria, este também era miafisista.

As Igrejas que não aceitaram a decisão deste Concílio de Calcedônia foram chamadas de não-calcedônias e são a Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria, a Igreja Siríaca Ortodoxa de Antioquia e a Igreja Armênia Ortodoxa da Casa de Cilicia.

As que aceitaram a decisão do Concílio de Calcedônia foram a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa de Constantinopla.

Nossa Igreja Sirian ou Siríaca Ortodoxa de Antioquia cita Dióscoro entre os Santos Padres no quinto díptico da Santa Missa.

Recentemente as Igrejas Orientais engajadas no diálogo ecumênico envolvendo a Igreja Católica Romana e as Ortodoxas não-calcedônias declaram a fé na natureza de Cristo afirmando que a causa do Cisma da Igreja foi o Concílio de Calcedônia e os termos ecumênicos assinados por Paulo VI de Roma e Xenuda III de Alexandria e ainda as Igrejas Siríaca Ortodoxa de Antioquia e a Armênia Ortodoxa concordaram plenamente na condenação das teorias nestoriana e eutiquiana rejeitando as interpretações de Concílios Ecumênicos a respeito da natureza de Cristo que conflitam com o Terceiro Concílio Ecumênico, ou seja, de Éfeso e a carta de Cirílo de Alexandria e João de Antioquia assim ficam nulos os anátemas e condenações do passado, mas, a Igreja de Constantinopla (Rum Ortodoxa não assinou estes acordos.


Dióscoro que era considerado herético por Roma e Constantinopla, teve sua reconsideração por Roma não sendo mais relacionado como herético.

FONTE: Diác. Aniss Sowmy - Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria - São Paulo/SP.